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O QUE COMEMOS E NÃO SABEMOS

Dois estudos recentes das revistas BMJ e Nature Communications relacionam uma maior ingestão de determinados aditivos alimentares com um risco acrescido de doença: quem os consome em maior quantidade pode apresentar um risco 47% maior de desenvolver diabetes tipo 2 e 32% maior de cancro em comparação com quem os consome menos.

Entre essas substâncias encontram-se os nitritos e nitratos presentes em carnes processadas (E249, E250, E251 e E252), o aspartame, substituto do açúcar (E951), certos sorbatos utilizados na panificação e pastelaria industrial (E200, E202 e E203) e alguns conservantes e reguladores de acidez presentes em vinhos, molhos, entre outros (E260–E262, E224, E282, E330, E392). Alguns foram classificados como cancerígenos ou possivelmente cancerígenos pela International Agency for Research on Cancer. A sua utilização atual justifica-se com base no uso de quantidades controladas, mas surpreende que substâncias cuja ingestão elevada pode ser prejudicial sejam incluídas a cada dia nos nossos alimentos.

A lógica capitalista separou as pessoas da autonomia relativamente a algo tão básico como a alimentação. Os processos produtivos degradam o meio ambiente e deterioram a saúde coletiva; os produtos ultraprocessados geram padrões de consumo potencialmente aditivos que podem criar hábitos de ingestão compulsiva ou dependente e que afetam a saúde física e mental; e estes, por sua vez, geram doenças sistémicas das quais beneficia a indústria farmacêutica.

Comer deixou de ser um ato quotidiano de autossuficiência para passar a depender das estruturas económicas e tecnológicas do capital, ao ponto de não sabermos o que contém aquilo que levamos à boca. As empresas vêem-se agora obrigadas a dissimular com rótulos como o Nutri-Score, que ocultam a nocividade dos alimentos que nos vendem, "porque a simples verdade dos riscos presentes basta para constituir um imenso fator de revolta".

AG

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